quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Ando assim



Ando assim sei lá, meio que sei que nada sei nessa passada louca.
Sem tempo, dinheiro, embriagada, vinho barato e cigarros roubados,
hora sim, não, depois, bagunça, arrumar quarto, beber e dizer que te
amo.
Ando assim, pra frente, sem gente, despedaçada, me reinventando.
Pisa no acelerador, Poe gasolina, chora o passado, procurar emprego,
arrumar um namorado e dorme... Cama amarrotada de sentimentos.
Ando sem correr, corro sem mexer, falo sem amar, faço sem sentir,
sinto sem agir, escrevo sem querer.
Ando, assim, aceito o beijo de quem dispuser, carência se cura, não se
discute...
Ando querendo rezar, orar, seja lá o que for, mas faço se querer, sumo
sem falar, brigo sem chorar, choro não sei por que...
Fecho a porta, abro as discussões sobre um novo que ficou velho, sobre
um sonho que é só sonho... Realidade que não se faz subjetiva!
Ando, assim, querendo dizer o que nem sei, mas que arde, dói, rasteja,
pragueja, inunda,serpenteia da moralidade pra convicção.
Sinto falta até do que não tive, e por hora digito sem um nexo
previsto, ou definições cabíveis.

A.Assis

Abstinência



Talvez eu não saiba lidar com o meu amor por você. Nunca fui tão
lógica e objetiva com os meus sentimentos programados por emoção.
Tenho unhas roídas de abstinência, valeu apena. Tenho um coração
atropelado pela ansiedade. E diga-me, finalmente, qual o tempo
necessário para gerar um sentimento?
Estou procurando fantasmas? O futuro é o túmulo crédulo da incerteza,
onde eu saberei dizer adeus, ou morrerei no sabor cálido dos seus
lábios, que pelo acaso congelam a minha pequena e humilde alma?
Digo lhes por fim, desapego:
Estarei pela companhia da minha pálida solidão até o fim dos tempos?
Assim sentirei uma falta incontrolada do seu ser ao longo de suas
lindas poesias, que já não leio e por fim não lerei mais...
Cada estrofe será um caminha de minha morte, assim como a palavra
calva em minha boca: adeus
Esse fio tênue e bambo da humanidade é lástima de um homem.
Por fim agora, me tornaste a mais miserável das mulheres...

         A.Assis